É urgente ampliar a educação em braile

Por Rebeca Romero 07/07/2021 - 17:40 hs

O sistema Braille é divisor de águas na vida da pessoa com deficiência visual. Atualmente pode-se destacar que o ensino educacional para pessoas cegas tem muito a caminhar. 

 

Participei há um tempo atrás de um evento em Goiânia chamado “Na Bike com DV”, nele, tive a oportunidade de conhecer a Luiza Pereira mãe do Alexandre Augusto, um garoto de 15 anos lindo, inteligente e que sabe muito de matemática e línguas estrangeiras. Desde então, mantemos contato e venho crescendo com informações e descobertas sobre a realidade e necessidades dessas pessoas com deficiência e suas famílias. Uma das coisas que ela me contou, e fiquei encantada, é sobre um projeto nascido no Brasil e idealizado por Simone Raquel do @contandonopapel que tem ensinado algumas famílias a fazerem um álbum de fotos inclusivo, que com alto relevo, texturas, dobradura em papel e braile faz com que a pessoa cega, consiga rememorar momentos especiais da vida. Luiza fez esse álbum para o seu filho e me emocionou ao compartilhar a entrega.

 

Esse tipo de iniciativa mostra o quanto precisamos pensar mais de forma inclusiva. A sociedade ainda tem certa dificuldade em lidar com as pessoas com deficiência, não só com deficiência visual. Mas é exatamente pelo desconhecimento da realidade dessas pessoas que as informações precisam estar mais acessíveis a todos os cidadãos. E essas informações devem ser feitas e planejadas em âmbito municipal, estadual e federal.

 

Braille é um canal insubstituível na alfabetização, possibilitando o acesso à leitura, à escrita e à inclusão social dos cegos. Nos Institutos especializados o Braille é ensinado, mas também deveria ser ensinado nas escolas regulares. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 92394/96, Capítulo V, a educação especial é uma modalidade da Educação, que preferencialmente, deve ser oferecida na rede regular de ensino

 

No entanto, ainda não é uma realidade cotidiana nas escolas das redes públicas e privadas. Há grande lacuna na inclusão dos cegos. Alguns profissionais, em escolas espalhadas pelo Brasil, se esforçam, para que o Braille faça parte do cotidiano escolar. Há sistemas de ensino, bem estruturados em alguns estados e Municípios que se preocupam de forma coerente com a inclusão dos cegos. No entanto, é uma parcela mínima.

 

De forma geral, não há, nas escolas regulares, um plano prático de inclusão dos cegos, mesmo que Leis de Inclusão já existam. Há grande dificuldade de inclusão, levando em conta a falta de preparo dos profissionais e a ausência dos recursos didáticos para a aprendizagem. No cenário educacional, vimos não só a falta de recursos adaptados, que vai desde um lápis adaptado a softwares mais elaborados, mas também professores despreparados para lidar com tal alunado e infraestrutura escolar precária, impedindo assim a igualdade de condições para a sua inserção na vida acadêmica e, consequentemente, no mercado de trabalho.

 

É importante entendermos que numa época de grandes avanços, principalmente das tecnologias e ferramentas digitais, mesmo com a dificuldade de acesso, é mais fácil viver nessa sociedade do que há duas décadas. Temos que ter em mente que a pessoa com deficiência não é um ser humano peculiar. Ela só necessita de recursos adequados à sua condição fisiológica para se desenvolver socialmente, cultural e psiquicamente e, desse modo, serem incluídos nos diversos contextos sociais. A oferta de tais ferramentas adaptadas, bem como o atendimento educacional especializado é o que promoverá a sua independência e uma melhor qualidade de vida.