Ser ousado no equilíbrio da ansiedade, afinal posso e devo ter ousadia de ser imperfeito

Pedagoga – Psicopedagoga- Psicanalista – Mentoria profissional

Por Rosana Dorneles 07/07/2021 - 18:49 hs

Quero iniciar com um trecho do discurso “Cidadania em uma República” proferido na Sorbone pelo ex-presidente americano Theidore Roosevelt, em 23 de abril de 1910 : “Não é o crítico que importa; nem aquele que aponta onde foi que o homem tropeçou ou como o autor das façanhas poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que está por inteiro na arena da vida, cujo rosto está manchado de poeira, suor e sangue; que luta bravamente; que erra, que decepciona, porque não há esforço sem erros e decepções; mas que, na verdade, se empenha em seus feitos; que conhece o entusiasmo, as grandes paixões; que se entrega a uma causa digna; que, na melhor das hipóteses, conhece no final o triunfo da grande conquista e que, na pior, se fracassar, ao menos fracassa ousando grandemente”.

Partindo desta fala que ecoam em nossos ouvidos, saber entender que realmente a ansiedade é um processo de defesa e preservação da nossa espécie. E Esta defesa em sua maioria é a consequência de provarmos o tempo todo a nossa “perfeição”, e de repente de acordo com esta magnânima fala do ex-presidente Roosevelt, clarifica as nossas experiências e com a ajuda do nosso consciente coletivo percebemos que podemos ser corajosos em ser imperfeitos, e que se aceitarmos a nossa vulnerabilidade, iremos ousar e alcançar uma vida mais plena.

Entender que a vulnerabilidade não é fraqueza e apenas uma incerteza dos riscos e a exposição emocional que encaramos todos os dias não são opcionais. Nossa única escolha tem a ver em comprometer-se. A vontade de assumir os riscos e de se comprometer com a nossa vulnerabilidade origina o alcance de nossa coragem e a clareza de nosso propósito. Por outro lado, o nível em que nos protegemos de ficar vulneráveis é uma medida de nosso medo e de nosso isolamento em relação à vida.

Quando passamos uma existência inteira esperando até nos tornarmos à prova de bala ou

perfeitos para entrar no jogo, para entrar na arena da vida, sacrificamos relacionamentos e oportunidades que podem ser irrecuperáveis, desperdiçamos nosso tempo precioso e viramos as costas para os nossos talentos, aquelas contribuições exclusivas que somente nós mesmos podemos dar.

Ser “perfeito” e “à prova de bala” são conceitos bastante sedutores, mas que não existem na realidade humana. Devemos respirar fundo e entrar na arena, qualquer que seja ela: um novo relacionamento, um encontro importante, uma conversa difícil em família ou uma contribuição criativa. Em vez de nos sentarmos à beira do caminho e vivermos de julgamentos e críticas, nós devemos ousar aparecer e deixar que nos vejam. Isso é vulnerabilidade. Isso é a coragem de ser imperfeito. Isso é viver com ousadia.

Então, aproveitemos a mudança de estação, além de aquecermos nossos corpos com sopas maravilhosas, cafés quentinhos, nossas blusas de lã, crochês e tricôs, busquemos aquecer também nossos corações com as nossas maravilhosas imperfeições.

Lembre-se: estamos aqui para criar vínculos com as pessoas. Fomos concebidos para nos conectar uns com os outros. Esse contato é o que dá propósito e sentido à nossa vida, e, sem ele, sofremos.